APRESENTAÇÃO

Este programa integra as ações do Projeto de Extensão, Pesquisa e Ensino da UNIRIO “Laboratório de Criação HólosArte: multilinguagens e inovação social nos processos criativos em Artes Relacionais”,

de coordenação das professoras Denise Telles-Hofstra e Cândida Borges.

 

PROGRAMA INTER

Em sintonia com a globalização e as tendências de conexão, propomos um programa que visa a abertura dos muros acadêmicos, trazendo para o ambiente da universidade expressões que por algum motivo, quer seja pela regionalização de suas ocorrências, pela sua oralidade ou pela brevidade de sua existência, ainda não se encontram contempladas pelo saber acadêmico.

Inter – do latim – significa reciprocidade, interação.

Internacional, Interdisciplinar, Internet, Inter-relação, Interativo, são palavras que têm habitado nossos discursos nos últimos tempos. Necessidade de se extinguir fronteiras, dissipar barreiras, rótulos, preconceitos, em prol da valorização da diversidade, da troca, da difusão, da democratização do conhecimento.

Este programa pretende criar situações de aproximação do mundo com a universidade, estimulando uma troca de saberes e meios, através de projetos que contemplem o fomento de oportunidades de encontros, registro e documentação de novos materiais de consulta, bem como promover a facilitação de emprego destes como recurso de ensino e criação de material didático, cursos, disciplinas.

JUSTIFICATIVA

 

Há muito se observa uma necessidade, seguida de uma tentativa da universidade, de ajustar seus programas de ensino e atividades `as demandas urgentes e cambiantes do mercado de trabalho e meio social. Inúmeros desafios nos surgem, enquanto meio acadêmico, de rever linguagens, metodologias, recursos, atividades, vocabulários, repertório.

Verificamos muitas vezes que a universidade não dá conta de abrigar a totalidade do conhecimento em algumas áreas, sobretudo o de “ponta”. Em artes, é comum reconhecermos grandes expoentes, fomentados pela iniciativa privada, que estão fora do ambiente acadêmico. Entretanto, possuem suma contribuição aos nossos saberes. Muitas vezes, estão até sedentos de compartilhar suas experiências, mas não encontram convites, situações, oportunidades de colaborar.

Ademais do material humano, há infinitas expressões que ainda não são contempladas pela literatura musical acadêmica e/ou pelo discurso didático. Tantos ambientes ainda configuram universos de conhecimento por ser desvelados, muito deles presentes em nossa própria cultura. Grandes são os esforços da musicologia em documentar esses acontecimentos, mas a velocidade de multiplicação, mutação e atualização dessas expressões é mais rápida que a pesquisa. Daí a importância de recebermos as contribuições desses expoentes vivos e desses eventos “ao vivo”.

Há ainda os casos de interdisciplinaridade, onde figuras e práticas importantes muitas vezes ficam sem espaço de contemplação pelo seu distanciamento de definição dos espaços que em geral temos, como é o caso das disciplinas, ou das séries específicas de apresentações ou palestras.

O próprio MEC reconhece a importância da integração dessas culturas, tendo ele mesmo proposto o programa “Conexão de saberes”, para integrar as universidades `as comunidades populares.

Além de trazer “intramuros” essas expressões de relevância, dá-se a necessidade de incorporá-las no discurso acadêmico, como meio e fim. Como meio, na metodologia praticada e descrita em muitas dessas expressões. Como fim, em incluir no rol de termos, culturas, gêneros, estilos, abordados em nossos conteúdos e literatura. Se não o de incorporar no abrangente discurso e ambiente acadêmico, disponibilizar novas informações, metodologias, recursos para serem absorvidos, tanto pela pesquisa, como para o ensino, aos que por eles se interessarem.

O programa já conta com a parceria de outras instituições e outro centro da Unirio, e visa aumentar este número. Colaboram na indicação de temas, convite e agendamento dos encontros para desenvolvimento dos projetos, promovendo  a interdisciplinaridade de ações e interesses.

Tantos assuntos ainda por serem registrados e pesquisados, caberão sempre iniciativas de promovê-los. Quer sejam pela regionalidade de suas ocorrências, pelo distanciamento da área, quer seja pela brevidade de sua existência, precisamos ir ao encontro dessas práticas e praticantes e trazê-los ao nosso meio de ensino e pesquisa.

 

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